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A Sony Music Publishing e a Warner Chappell Music entraram com ação contra a Anthropic na sexta-feira, 29 de agosto de 2026, no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia. A petição descreve o comportamento da empresa como “um dos maiores e mais flagrantes roubos contínuos de propriedade intelectual da história”.
O processo não mira apenas a companhia. Os cofundadores Dario Amodei e Benjamin Mann figuram como réus nominais.
O que as editoras alegam
O centro da acusação é o método de obtenção dos dados. As editoras falam em uma “campanha descarada de baixar, raspar e torrentear obras protegidas em escala massiva” para treinar os modelos Claude.
Segundo a petição, Mann usou o protocolo BitTorrent em junho de 2021 para obter ao menos 5 milhões de livros piratas na Library Genesis. Em julho de 2022, funcionários da empresa teriam baixado outros 2 milhões de um site sucessor. Parte desse acervo continha letras de músicas e partituras.
Além dos torrents, o documento aponta raspagem de sites licenciados de letras, entre eles MusixMatch e LyricFind, e uso de conjuntos de dados de terceiros como Common Crawl, The Pile e Books3. As editoras dizem que dezenas de milhares de composições foram usadas sem autorização e que informações de gestão de direitos autorais foram removidas das obras.
O pedido é de julgamento por júri, com até US$ 150 mil por obra infringida e US$ 25 mil por cada remoção de dado de copyright. A conta, se acolhida, chega à casa dos bilhões.
A Anthropic contesta. “Discordamos das alegações das editoras e pretendemos nos defender com vigor no tribunal”, disse um porta-voz da empresa.
O precedente que pesa
A ação chega depois de um capítulo caro para a Anthropic. No caso Bartz v. Anthropic, movido por autores de livros, o juiz separou duas questões: treinar um modelo com material protegido pode ser lícito, mas adquirir esse material por pirataria não é. O acordo, homologado em julho de 2026, custou US$ 1,5 bilhão à empresa.
É exatamente essa distinção que as editoras musicais exploram agora. O argumento não ataca o treinamento em si, e sim a origem dos arquivos — o terreno em que a Anthropic já perdeu uma vez.
A equipe jurídica também se repete. Os mesmos advogados representaram grupos musicais em uma ação de janeiro e conduziram o caso dos autores.
Para a indústria fonográfica, o processo abre uma segunda frente. Editoras de música controlam os direitos de composição — letra e melodia —, categoria distinta das gravações e historicamente mais fácil de rastrear dentro de textos gerados por modelos de linguagem.
Fontes: TechCrunch · Axios · Music Business Worldwide
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