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O SoftBank lançou em 20 de setembro uma operação de captação de mais de US$ 11 bilhões em títulos de alto risco — os chamados junk bonds — para financiar a próxima parcela do seu aporte na OpenAI. Se sair como planejado, será uma das maiores emissões desse tipo já feitas no mercado.
A estrutura, segundo o term sheet divulgado a investidores, prevê US$ 10 bilhões em papéis denominados em dólar, divididos em três prazos, mais € 1 bilhão (cerca de US$ 1,1 bilhão) em notas em euro, em duas maturidades. A precificação está prevista para 24 de setembro e a liquidação, para o dia 29.
Para onde vai o dinheiro
O destino é a terceira parcela, de US$ 10 bilhões, do investimento complementar do grupo japonês na OpenAI. O pagamento deve ser fechado em 1º de outubro. A operação implica uma avaliação pré-investimento de US$ 730 bilhões para a dona do ChatGPT.
Com esse cheque, o compromisso total do SoftBank com a OpenAI chega perto de US$ 65 bilhões — um volume que praticamente amarra o destino do conglomerado ao da empresa de Sam Altman.
Dívida para bancar a aposta
A escolha por captar no mercado de dívida de alto rendimento, em vez de vender participações, mostra o tamanho da convicção de Masayoshi Son. Também mostra o custo: junk bonds pagam juros mais altos justamente porque o emissor carrega risco de crédito elevado, e o SoftBank vem ampliando alavancagem para sustentar a tese de IA.
A operação acontece num momento em que o próprio calendário de saída da OpenAI segue indefinido. A empresa ainda não abriu capital, e o valor de referência de US$ 730 bilhões vem de rodadas privadas — ou seja, não passou pelo teste de um mercado aberto.
Para o SoftBank, a conta só fecha se houver liquidez futura: venda de fatia, IPO da OpenAI ou valorização suficiente para refinanciar a dívida em condições melhores. Enquanto isso não ocorre, o grupo paga juros sobre bilhões para manter a posição.
A movimentação reforça um padrão que se repete no setor em 2026: a infraestrutura e as participações em IA vêm sendo financiadas cada vez mais com dívida, e não com caixa gerado pela operação.
Fontes: Bloomberg · The Japan Times
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