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Perplexity divide a IA entre o Mac e a nuvem

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A Perplexity liberou em 1º de setembro de 2026 o recurso de computação híbrida no aplicativo Computer para Mac. A ideia é dividir uma mesma tarefa entre o modelo na nuvem e um modelo rodando na máquina do usuário, sem quebrar o fluxo no meio do caminho.

O recurso está disponível para assinantes dos planos Pro, Max e Enterprise. O processamento feito localmente não consome créditos de nuvem.

Quem faz o quê

A divisão de trabalho segue um critério simples: a nuvem cuida de busca na web, planejamento e raciocínio pesado; o modelo local assume quando a etapa envolve arquivos privados, dados sensíveis ou ações dentro do próprio computador.

A troca acontece no meio da execução. O agente na nuvem monta o plano, entrega o trecho sensível ao modelo do Mac preservando o contexto e depois junta os resultados. Na prática, o assistente consegue circular entre Finder, Mail, Mensagens, Notas e o navegador Comet sem que o conteúdo desses aplicativos precise subir.

Os requisitos são altos para um recurso de desktop: Mac com Apple Silicon, macOS 15 ou superior, 24 GB de memória unificada no mínimo e 32 GB recomendados. Três modelos locais são suportados no lançamento — Gemma 4 E4B, Qwen3.6 35B-A3B e o PPLX Qwen 3.8 27B, versão da própria Perplexity ajustada para as tarefas do Computer e instalada com um clique, sem Ollama nem configuração manual de runtime.

O filtro que decide o que sobe

A peça mais interessante do anúncio é o Privacy Gate, um classificador pequeno que fica no dispositivo e inspeciona o que está prestes a ir para a nuvem em busca de dados pessoais — nomes, endereços, números de conta, credenciais e cartões, entre 37 tipos de rótulo.

Quando encontra algo, o sistema tem quatro saídas possíveis: manter a etapa local, mascarar apenas os trechos sensíveis, recusar a ação ou perguntar ao usuário. Organizações podem definir regras válidas para toda a empresa sobre o que fica local e o que é mascarado, com registro de auditoria do que saiu de cada máquina.

O modelo por trás do filtro, chamado PII-Tracer, é um codificador bidirecional de 0,6 bilhão de parâmetros derivado de um backbone Qwen3. A Perplexity publicou o modelo e o benchmark associado no Hugging Face, o que permite auditoria independente de uma peça que normalmente ficaria fechada.

Para quem lida com dado de cliente sob a LGPD, o desenho tem apelo direto: o argumento de conformidade deixa de ser a promessa contratual do fornecedor e passa a ser uma decisão técnica verificável, tomada antes de o dado deixar o equipamento. A ressalva é o custo de entrada — exigir 32 GB de memória unificada limita o recurso a máquinas caras, e nada disso vale para quem usa a Perplexity no Windows ou no navegador.

Fontes: Perplexity, MarkTechPost, 9to5Mac

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