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A Oracle divulgou em 10 de setembro de 2026 o balanço do primeiro trimestre do seu ano fiscal de 2027, encerrado em 31 de agosto, e informou ter fechado mais de US$ 30 bilhões em novos contratos de nuvem para inteligência artificial só naqueles três meses.
A receita total subiu 30% na comparação anual, para US$ 19,35 bilhões. O lucro ajustado por ação foi de US$ 1,92, também 30% acima do mesmo trimestre do ano anterior. Os dois números superaram as projeções do mercado.
O que puxou o resultado
O motor foi a infraestrutura em nuvem, a divisão que aluga capacidade de processamento — inclusive placas gráficas para treinar e rodar modelos. Ela cresceu 121% e chegou a US$ 7,4 bilhões no trimestre. A nuvem como um todo, somando infraestrutura e aplicações, avançou 62% e somou US$ 11,6 bilhões.
A empresa afirmou ter entregue mais de 300 mil GPUs a clientes de nuvem no período, quase o triplo da capacidade colocada em operação no trimestre anterior.
O indicador que mais chamou atenção, porém, não é receita já realizada. As chamadas obrigações de desempenho remanescentes — o valor contratado que ainda será faturado ao longo dos próximos anos — chegaram a US$ 664 bilhões. É uma carteira que dá previsibilidade, mas que só vira caixa se a Oracle conseguir construir e energizar os data centers prometidos no prazo.
Guidance elevado
Com os números na mão, a direção elevou a projeção para o ano fiscal, mirando algo acima de US$ 90 bilhões de receita anual e US$ 8,10 de lucro por ação. É um sinal de confiança incomum para uma empresa que, até dois anos atrás, era vista no mercado como um nome maduro e sem grandes saltos de crescimento.
A virada tem custo. Esse tipo de contrato exige investimento pesado e antecipado em terreno, energia, refrigeração e chips, muitas vezes financiado com dívida. A Oracle passou a ser cobrada por analistas justamente sobre a margem dessa operação: alugar GPU é um negócio de volume, com margem mais apertada do que o software corporativo que sustentou a companhia por décadas.
O balanço chega na mesma semana em que a Microsoft afirmou pretender ampliar a capacidade de seus data centers dos atuais 12 gigawatts para mais de 38 gigawatts até 2032 — outro indicador de que a disputa entre as nuvens migrou de software para eletricidade e metros quadrados.
Fontes: Quartz, Investing.com, 24/7 Wall St.
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