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Nvidia põe US$ 3,5 bi na MediaTek e abre o NVLink

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A Nvidia anunciou em 31 de agosto de 2026 um investimento de US$ 3,5 bilhões na taiwanesa MediaTek. O acordo não é uma compra de capacidade nem um contrato de fornecimento: é uma jogada para manter a empresa no centro da infraestrutura de IA mesmo quando os clientes decidem desenhar os próprios chips.

Pelos termos divulgados, a MediaTek passa a ter acesso ao ecossistema NVLink Fusion, a tecnologia de interconexão da Nvidia que costura aceleradores dentro de um rack, e à arquitetura de escala da companhia. Em troca, a MediaTek adota a tecnologia da Nvidia ao projetar chips sob medida para clientes — chips que, na prática, nascem compatíveis com data centers montados em torno de equipamentos Nvidia.

Por que agora

O contexto é o movimento de silício próprio das grandes plataformas. Amazon, Google, Microsoft, OpenAI e Anthropic vêm desenvolvendo aceleradores internos para reduzir dependência e custo por watt. Cada projeto desses é uma fatia de demanda que, em tese, escapa da Nvidia.

O acordo com a MediaTek ataca esse risco por um caminho diferente do óbvio. Em vez de tentar impedir o chip customizado, a Nvidia tenta garantir que ele seja construído dentro do seu padrão de interconexão e rode ao lado da sua infraestrutura. A MediaTek é uma das maiores projetistas de chips sob demanda do mundo e leva junto a própria carteira de clientes.

“A Nvidia é uma empresa de infraestrutura de IA. Nós fomos além dos chips de computação puros anos atrás”, disse Dion Harris, diretor sênior de infraestrutura para HPC e hiperescala da Nvidia, ao TechCrunch.

O que já existia entre as duas

Nvidia e MediaTek não começam do zero. As empresas já colaboram no DGX Spark e no RTX Spark, além de plataformas para veículos autônomos. O investimento formaliza e amplia essa relação, empurrando-a para o centro do negócio de data center.

A leitura de mercado é que a Nvidia está trocando margem de curto prazo por posição de longo prazo. Se o chip customizado do cliente precisa de NVLink para escalar, o rack, a rede e o software continuam sendo da Nvidia — mesmo quando o acelerador não é.

Para quem compra infraestrutura, o efeito prático é menos binário do que “Nvidia ou não Nvidia”. A tendência é de racks híbridos, com silício próprio para cargas específicas convivendo com GPUs de prateleira, tudo amarrado pela mesma interconexão. Isso simplifica projeto e integração, mas também reduz a chance de alguém sair inteiramente do ecossistema.

Nenhuma das duas empresas divulgou cronograma para os primeiros chips resultantes do acordo.

Fontes: TechCrunch

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