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A francesa Mistral AI anunciou nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, a captação de € 3 bilhões (cerca de US$ 3,5 bilhões) em uma rodada Série D liderada pela Samsung Electronics. A operação avalia a empresa em mais de € 21 bilhões e é a maior rodada de capital já feita por uma companhia de tecnologia europeia.
O número praticamente dobra os € 11,7 bilhões da Série C, fechada em setembro de 2025 sob liderança da ASML. Em doze meses, a startup que se apresenta como resposta europeia a OpenAI e Anthropic dobrou de tamanho no papel.
Quem entrou na mesa
Ao lado da Samsung, aparecem como co-líderes o Scaleup Europe Fund, veículo apoiado pela União Europeia e gerido pela EQT, e a PSG Equity, já investidora da empresa. A lista de participantes inclui Nvidia, ASML, Andreessen Horowitz, Advent, fundos geridos pela BlackRock e o governo de Luxemburgo.
A composição do grupo diz mais que o cheque. Samsung, Nvidia e ASML são, cada uma a seu modo, fornecedoras da cadeia de semicondutores que a Mistral precisa para treinar modelos. Ter as três no quadro de acionistas garante acesso preferencial a capacidade de cálculo num momento em que chips e energia, não software, são o gargalo do setor.
O arranjo também tensiona o discurso da empresa. A Mistral construiu sua marca sobre a ideia de “IA soberana” europeia, e agora tem entre seus donos uma fabricante sul-coreana e uma americana de chips.
Para onde vai o dinheiro
A companhia informou que o capital será usado em pesquisa de fronteira, infraestrutura de computação para treinar modelos maiores e expansão comercial internacional, hoje presente em mais de vinte países.
O CEO Arthur Mensch afirmou que a empresa deve superar US$ 1 bilhão em receita recorrente anual em 2026 e descreveu a rodada como algo que está “acelerando e viabilizando mais crescimento adiante, em 2027”. A base de clientes corporativos passa de 125 empresas e inclui Airbus, ASML e HSBC.
O contraste de escala com os rivais americanos segue grande. A Anthropic prepara uma abertura de capital com avaliação discutida na casa das centenas de bilhões de dólares, e a OpenAI opera com contratos de nuvem de dezenas de bilhões. Ainda assim, a Mistral se firmou como a única companhia europeia de modelos de fronteira com receita corporativa relevante e cadeia de fornecimento própria.
Para o mercado brasileiro, o efeito prático é indireto, mas real: a Mistral é hoje a principal alternativa não americana para empresas que precisam rodar modelos abertos ou hospedados fora dos Estados Unidos, tema que voltou à pauta com as discussões de soberania de dados no país.
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