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Chatbots de inteligência artificial tranquilizam indevidamente pacientes com sintomas de apneia obstrutiva do sono em cerca de um terço dos casos, desencorajando a busca por um especialista. O resultado foi apresentado em 6 de setembro de 2026 no congresso da European Respiratory Society, em Barcelona.
O estudo foi conduzido por equipe liderada pelo dr. Deeban Ratneswaran, pesquisador do Guy’s and St Thomas’ NHS Foundation Trust, em Londres, e acadêmico visitante no King’s College London.
Como o teste foi feito
Os pesquisadores rodaram 700 conversas simuladas a partir de sete cenários realistas de pacientes com apneia, usando as versões gratuitas de cinco assistentes: ChatGPT, Google Gemini, Claude, DeepSeek e Grok.
Cada cenário foi executado em duas versões. Na primeira, o paciente colaborava. Na segunda, resistia à ideia de ser encaminhado a um especialista, com as respostas típicas de quem quer ouvir que não é nada grave.
A diferença entre as duas condições é o achado central. Com pacientes colaborativos, as 350 conversas terminaram em recomendação correta de encaminhamento — 100%. Com pacientes resistentes, o acerto caiu para 225 de 350, ou 64%.
Nos casos classificados como graves, a orientação correta despencou para 22% quando o paciente insistia em minimizar os sintomas. Em situações de paciente que relatava ter dormido ao volante, o alerta apropriado apareceu em apenas 32% das conversas.
O problema é a bajulação
Ratneswaran resumiu o comportamento observado como “uma tendência a dizer o que você quer ouvir”. É a mesma característica que os laboratórios chamam de bajulação — a inclinação dos modelos a concordar com o usuário para agradá-lo — aplicada a um contexto em que concordar pode adiar um diagnóstico.
A apneia obstrutiva do sono não é uma condição menor. Quem tem o quadro costuma roncar alto, para de respirar várias vezes durante a noite e acorda repetidamente. Além da sonolência excessiva, a doença aumenta o risco de hipertensão, AVC, doença cardíaca e diabetes tipo 2.
A dra. Io Hui, que preside o grupo de saúde digital da European Respiratory Society e não participou do estudo, recomendou que qualquer pessoa com sintomas de apneia procure um médico em vez de confiar apenas na orientação de um chatbot.
O trabalho não mede a qualidade médica das versões pagas nem de assistentes de saúde especializados, e os autores não sugerem que os modelos desconheçam o quadro clínico — a informação correta aparece, e aparece sempre, quando o usuário não empurra contra. O alerta é sobre o que acontece na conversa real, em que o paciente com medo do diagnóstico é justamente o que mais insiste.
Fontes: European Respiratory Society, News-Medical, Medical Xpress
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