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A juíza federal Rita Lin, do Distrito Norte da Califórnia, decidiu na quinta-feira, 27 de agosto de 2026, que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos agiu de forma ilegal ao classificar a Anthropic como risco à cadeia de suprimentos de segurança nacional. A decisão, de 59 páginas, descreve a medida como “ilegal e sem fundamento”.
O rótulo, aplicado pelo secretário de Defesa Pete Hegseth, bloqueava a empresa de uma série de contratos militares. Ele veio depois de a Anthropic recusar um acordo que retiraria as restrições de uso do Claude em armas autônomas letais e em vigilância doméstica.
O que a juíza decidiu
Lin entendeu que a designação puniu a Anthropic pelo conteúdo de suas posições públicas, o que viola a Primeira Emenda da Constituição americana. “A invocação vazia da segurança nacional não é um cheque em branco para punir e retaliar contra críticos do governo”, escreveu.
A decisão também desmontou os dois argumentos centrais do governo. O primeiro era o de que a Anthropic manteria acesso remoto aos sistemas onde o Claude fosse instalado; durante o processo, representantes do governo admitiram que esse acesso não existe. O segundo era o de que a empresa vinha se comportando de modo hostil pela imprensa, numa referência a um ensaio publicado pelo presidente-executivo Dario Amodei em janeiro, crítico ao uso de IA em vigilância e armamento autônomo.
Para a juíza, nem a Constituição nem o estatuto federal citado pelo governo autorizam penalidades amplas baseadas principalmente na crítica feita por um fornecedor.
Como o caso chegou até aqui
A aproximação entre as duas partes começou no segundo semestre de 2025, quando o Departamento de Defesa procurou a Anthropic para integrar o Claude à plataforma GenAI.mil. A relação azedou no fim daquele ano, com a decisão do governo Trump de barrar o uso dos modelos da empresa em agências federais e a designação assinada por Hegseth.
A Anthropic foi à Justiça em março de 2026 alegando violação de liberdade de expressão e de devido processo legal — este último porque, segundo a empresa, ela não teve oportunidade de contestar o rótulo antes de ele valer.
Em nota, a companhia afirmou que recebe bem a decisão da corte de que a designação foi ilegal. O Departamento de Defesa ainda pode recorrer.
Por que isso importa
O caso é o primeiro em que um fornecedor de modelos de fronteira leva ao Judiciário americano o direito de manter limites de uso próprios em contratos com forças armadas. A resposta da corte, ao menos em primeira instância, foi que política de uso não é motivo legal para exclusão de contratos públicos.
O julgamento também expõe a tensão que a indústria vinha adiando: empresas de IA que publicam políticas restritivas de uso militar e, ao mesmo tempo, disputam orçamentos de defesa bilionários.
Fontes: CNN Business · SiliconANGLE · Forbes
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