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Jacob Coxon, pesquisador de pré-treino da Anthropic, anunciou sua demissão em 9 de setembro com um recado direto às duas empresas em que trabalhou. “Nenhuma das duas companhias está agindo de forma responsável. Elas estão correndo direto para a superinteligência autoaperfeiçoável e apostando com nossas vidas”, escreveu ele na rede social X.
Coxon tem 27 anos e passou três anos em pesquisa de pré-treino — primeiro na OpenAI, depois na Anthropic. A publicação acumulou mais de 90 milhões de visualizações em menos de 24 horas e rendeu entrevistas ao Wall Street Journal, à revista TIME e à CNN.
O argumento não é sobre segurança falsa
O ponto de Coxon é mais específico do que a crítica genérica de que laboratórios ignoram riscos. Ele afirma que o trabalho de segurança da Anthropic é real, mas insuficiente diante da pressão competitiva. Em outras palavras, o problema seria estrutural: a corrida entre empresas comprime o tempo disponível para avaliar sistemas antes de colocá-los em produção.
Ao Wall Street Journal, ele disse que a trajetória atual aponta para os cenários mais agressivos já mapeados: “Estamos a caminho de muitos dos cenários mais agressivos, em que até o fim do ano que vem as coisas já podem estar fora de controle.”
Coxon também relatou uma mudança de vocabulário dentro dos laboratórios de fronteira. Segundo ele, termos como “crunchtime” e “endgame” passaram a ser usados de forma corriqueira por pesquisadores para descrever o estágio em que o avanço de capacidade se encontra.
O que está em jogo
A preocupação declarada é com sistemas capazes de melhorar a si mesmos sem supervisão humana no circuito — o chamado autoaperfeiçoamento recursivo. A discussão deixou de ser hipotética em 2026: em julho, o Google afirmou que a IA ajudou a refinar o Gemini 3.8 Flash, e a própria Anthropic tem testado modelos que conduzem pesquisa de alinhamento sozinhos.
A saída de Coxon se soma a uma lista de desligamentos públicos motivados por divergência sobre ritmo de desenvolvimento, um padrão que se repete desde 2024 nas duas empresas. A diferença, desta vez, é o alcance: a declaração saiu do círculo técnico e chegou à imprensa generalista americana em questão de horas, com repercussão em Washington.
Nem a Anthropic nem a OpenAI responderam publicamente às acusações até a publicação desta reportagem. As duas empresas mantêm equipes dedicadas a alinhamento e publicam relatórios periódicos de avaliação de risco de seus modelos.
O caso alimenta o debate regulatório em curso nos Estados Unidos, onde o governo tem defendido nos fóruns internacionais que não sejam criadas novas regras específicas para IA — posição que contrasta com o alerta feito por um pesquisador que ajudou a construir esses mesmos sistemas.
Fontes: TechCrunch, TIME, CNN
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